Aula 11 Hannah Arendt sobre o papel das massas

 TEMA: Hannah Arendt sobre o papel das massas

Nossa aula foi:
3ºA, terça-feira, 7 de abril de 2026.
3ºB, terça-feira, 7 de abril de 2026.
3ºC, terça-feira, 7 de abril de 2026.
 
EIXO TEMÁTICO
 
HABILIDADE NA BNCC
(EM13CHS603) Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando conceitos políticos básicos.
 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DO DC-GOEM
(GO-EMCHS603A) Entender os processos de formação da Primeira Guerra Mundial, utilizando os fatos históricos que remetam às experiências políticas e de exercício da cidadania para sistematizar os conceitos de Estado, poder, sistemas e regimes de governo. Compreender o pensamento político de Hannah Arendt para pensar criticamente o poder e a soberania no Estado contemporâneo. Analisar as relações de poder nas sociedades contemporâneas a partir do pensamento de Foucault.
 
CONTEÚDO
Estado, poder, formas, sistemas e regimes de governo
 
METODOLOGIA:
Os objetivos da aula são:
Compreender a diferença entre democracia, autoritarismo e totalitarismo a partir do texto-base.
Identificar, no pensamento de Hannah Arendt, características do totalitarismo, como terror, doutrinação e apoio de massas politicamente desarticuladas.
Desenvolver leitura filosófica, interpretação de conceitos e argumentação crítica sobre a fragilidade da democracia e os riscos do desvio de poder.
Relacionar o conteúdo à habilidade EM13CHS602, que prevê identificar e caracterizar a presença do autoritarismo e relacioná-lo à defesa da autonomia, da liberdade, do diálogo, da democracia e dos direitos humanos.
 
Para tanto, nos serviremos da seguinte estrutura de aula:
Apresentar os objetivos da aula no quadro e propõe a questão disparadora: “O que torna um governo ilegítimo quando ele usa a força?”. Em seguida, cada estudante registra individualmente uma resposta breve no caderno, em 3 a 4 linhas, como hipótese inicial.
Entregar o texto-base da Moderna Plus Filosofia, p. 311-313, e fazer leitura silenciosa com orientação de marcação em três focos:
sublinhar em uma cor as características da democracia;
circular no texto elementos do autoritarismo e do totalitarismo;
destacar a lápis a explicação de Hannah Arendt sobre o papel das massas.
Após a leitura, cada estudante preenche uma ficha individual com três comandos:
Identifique uma ideia central do texto sobre democracia;
Explique por que o totalitarismo é diferente de outras formas de opressão política, segundo Arendt;
Posicione-se: por que a indiferença política pode ameaçar a democracia?
Essa etapa é ativa porque exige que o estudante selecione evidências, formule síntese própria e produza argumento autoral, em vez de apenas copiar definições. A proposta também dialoga com a habilidade EM13CHS103, voltada à elaboração de hipóteses, seleção de evidências e composição de argumentos com base em textos filosóficos.
Alguns estudantes podem ler uma de suas respostas e organiza no quadro um contraste entre os conceitos de democracia, autoritarismo e totalitarismo. A mediação deve reforçar que, no texto, a democracia aparece como aberta ao pluralismo e ao conflito não violento, enquanto o totalitarismo mobiliza violência ilegítima, terror e doutrinação.
Como síntese, cada estudante escreve uma frase-resposta para a pergunta: “Por que a democracia exige vigilância permanente?”. Essa produção final servirá também como evidência de aprendizagem da aula.
 
MATERIAL:
Moderna Plus Filosofia, páginas 311-313.
 
🔖ATIVIDADE AVALIATIVA🎒
A avaliação será processual e formativa, considerando:
participação na etapa de leitura orientada;
qualidade do preenchimento da ficha individual;
capacidade de identificar conceitos centrais do texto;
habilidade de justificar respostas com base no texto;
elaboração da frase-síntese final sobre a fragilidade da democracia.
 
🔖ATIVIDADE AVALIATIVA FLEXIBILIZADA🎒
Entregar o mesmo texto com trechos-chave previamente destacados pelo professor.
Oferecer uma ficha com frases curtas, comandos objetivos e apoio visual por palavras-chave, como: democracia, violência, medo, massas, liberdade.
Ler os enunciados em voz alta e confirmar a compreensão antes da resposta.
Permitir respostas curtas, com apoio de alternativas ou completamento de frases.
 
MATERIAL:
A violência ilegítima do Estado: totalitarismo e autoritarismo
A democracia não dispõe de um modelo a ser seguido, por ser constituída de opiniões divergentes, com base em situações concretas e tendo em vista o bem comum. Em razão disso, o equilíbrio das forças políticas é sempre instável, sendo necessário manter atenção constante para evitar riscos de desvio de poder.
Além disso, a democracia está sempre “por se fazer”; consequentemente, é frágil. Sua fragilidade, porém, não é propriamente “fraqueza” ou “vulnerabilidade”, porque ela não se move por imposição e por autoritarismo, mas está aberta à discussão, ao pluralismo, ao conflito não violento, o que representa maturidade política.
Ao mesmo tempo, encontra-se sempre ameaçada pela intolerância dos que desejam se impor ilegitimamente pela força. Sempre haverá a tentativa de homogeneizar pensamentos e ações, favorecendo determinados grupos que se propõem a “restabelecer a ordem” e a hierarquia, impondo um governo autoritário.
Foi o que ocorreu ao longo do século XX, quando surgiram formas de poder diferentes das expressões tradicionais de despotismo e de tirania, por apresentarem características especiais. Tais formas de poder se manifestaram nas experiências de totalitarismo ocorridas após a Primeira Guerra Mundial, nas quais governos se utilizaram de violência ilegítima contra os cidadãos.
Hannah Arendt: origens do totalitarismo
Hannah Arendt nasceu em 1906, em Hannover, na Alemanha. Era de família judia, embora não tenha recebido uma educação religiosa tradicional. Estudou Filosofia na Universidade de Berlim e foi aluna dos filósofos Martin Heidegger e Karl Jaspers. Em 1941, para escapar da perseguição nazista, refugiou-se nos Estados Unidos.
Desde a publicação de sua obra Origens do totalitarismo, em 1951, Arendt se debruçou sobre esse fenômeno na tentativa de compreendê-lo, tendo como alvo a Alemanha nazista e a União Soviética stalinista. Nesse livro, a filósofa explicou que o totalitarismo difere de outras formas de opressão política, como o despotismo, a tirania e a ditadura, embora adote métodos de intimidação e instrumentos de violência comuns a esses regimes.
Para Arendt, o governo totalitário tem a especificidade de destruir as tradições sociais, legais e políticas do país e de transformar as massas em sustentação e vigor do sistema. O que os totalitarismos nazista e stalinista fizeram, segundo a filósofa, foi uma tentativa de dominação humana total e mundial, seja por meio de estratégias de medo e terror, como os campos de concentração, seja por meio da doutrinação, que requeria a aceitação passiva das massas.
Arendt mencionou, então, o papel decisivo das massas para a manutenção dos totalitarismos. Ela destacou que esses regimes se fortalecem com coletivos desorganizados e desestruturados de indivíduos furiosos e que desprezam a política partidária vigente.
A filósofa assim comentou o que entende pelo termo massa:
“O termo massa só se aplica quando lidamos com pessoas que, simplesmente devido ao seu número, ou à sua indiferença, ou a uma mistura de ambos, não se podem integrar numa organização baseada no interesse comum, seja partido político, organização profissional ou sindicato de trabalhadores. Potencialmente, as massas existem em qualquer país e constituem a maioria das pessoas neutras e politicamente indiferentes, que nunca se filiam a um partido e raramente exercem o poder de voto.”
ARENDT, Hannah. Origens do totalitarismo: antissemitismo, imperialismo e totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p. 361.
Desse modo, para Hannah Arendt, os movimentos totalitários demonstraram a força das massas politicamente neutras, indiferentes e desarticuladas, antes subestimadas. Com seu apoio, Adolf Hitler e Josef Stálin não mais precisaram se preocupar em persuadir opositores, podendo recorrer meramente à violência, sem justificar seus atos, já que contavam com o apoio irrestrito das massas acríticas.
 

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